domingo, 28 de setembro de 2014

Num outro tom




Sem sabermos como e porquê, os caminhos mais longínquos que desenhamos e aos quais chamamos de sonhos, começam a ganhar buracos, obstáculos indestrutíveis, e a perseverança que lhes damos começa a desvanecer-se e o falhanço apodera-se de nós todos:

“Só queria saber porquê, porque aconteceu tudo isto, sonhei, gritei, sonhei, chorei, sonhei e morri também, porque não o fizemos corretamente, não havia fim, estava mesmo debaixo dos nossos olhos, e não era o fim, era um princípio de tudo ou nada, eu amava poder, amava ter, amava ver, perdi tudo de uma vez, porque fostes? Porquê agora meu bem? Não me sinto, não muito bem, estou colado à terra e a estas coisas sofredoras que se chamam de memórias, estão a levar-me para o teu lado, porque tinhas de morrer agora meu amor? Eu sei que por timidez não arrisquei nem um olá nem uma carta, nada, e agora sem me aperceber tu serás uma alma eterna e eu ainda sou um mortal não sei por quanto tempo, não te tenho, o que sou eu? Os meus olhos choram involuntariamente, eu adormeço com a cara encharcada e levanto-me com a cara desenhada de enormes leitos fundos, elas já tem o caminho desenhado para escorrer, sinto-me vazio, e tão pesado.. o arrependimento realmente mata, fazia tudo para te ver e ouvir, mas apenas isso, porque nunca arrisquei, nunca te pude chamar minha, nunca soube começar a traçar o caminho para te “raptar” só para mim nesta vida, onde andas tu meu amor? Preciso de ti, neste imenso céu azul, onde andas tu? Preciso que me oiças, eu quero-te eu amo-te, namora comigo, não, melhor, casa comigo, nunca te farei mal juro, mas de repente, perdi-te num curto espaço de tempo que se chama para sempre, se Deus existe porque te tirou de mim.. Foi um castigo por eu não ter arriscado uma oportunidade para nós? Isto é castigo? Só pergunto porquê, porque tinhas de ser tu julgada por um erro meu? Ele que me leve a mim, ela não sentiria tanto a minha falta como eu sinto a dela, é difícil, é duro, nem vale a pena ter morfina a circular-me no corpo, é uma dor horrenda é uma dor permanente, só preciso de ti minha querida, se me ouves leva-me e perdoa-me tudo o que não fiz por ti para darmos certos, eu venero-te, eu quero-te, julgai-me a mim mas leva-me para junto dela mesmo que seja apenas para a ver sorrir e ouvir a sua voz durante toda a eternidade”


Porque se olharmos apenas para as estrelas e sonharmos, o teatro dos sonhos ou fica curto ou desaba diante das nossas pupilas

To the moon and back, JotaCê
© José Correia, 2025. Todos os direitos reservados. Texto registado na SPA.

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