Sem sabermos como e porquê, os caminhos mais longínquos que
desenhamos e aos quais chamamos de sonhos, começam a ganhar buracos, obstáculos
indestrutíveis, e a perseverança que lhes damos começa a desvanecer-se e o
falhanço apodera-se de nós todos:
“Só queria saber porquê, porque aconteceu tudo isto, sonhei,
gritei, sonhei, chorei, sonhei e morri também, porque não o fizemos
corretamente, não havia fim, estava mesmo debaixo dos nossos olhos, e não era o
fim, era um princípio de tudo ou nada, eu amava poder, amava ter, amava ver,
perdi tudo de uma vez, porque fostes? Porquê agora meu bem? Não me sinto, não
muito bem, estou colado à terra e a estas coisas sofredoras que se chamam de
memórias, estão a levar-me para o teu lado, porque tinhas de morrer agora meu
amor? Eu sei que por timidez não arrisquei nem um olá nem uma carta, nada, e
agora sem me aperceber tu serás uma alma eterna e eu ainda sou um mortal não
sei por quanto tempo, não te tenho, o que sou eu? Os meus olhos choram
involuntariamente, eu adormeço com a cara encharcada e levanto-me com a cara desenhada
de enormes leitos fundos, elas já tem o caminho desenhado para escorrer,
sinto-me vazio, e tão pesado.. o arrependimento realmente mata, fazia tudo para
te ver e ouvir, mas apenas isso, porque nunca arrisquei, nunca te pude chamar
minha, nunca soube começar a traçar o caminho para te “raptar” só para mim nesta
vida, onde andas tu meu amor? Preciso de ti, neste imenso céu azul, onde andas
tu? Preciso que me oiças, eu quero-te eu amo-te, namora comigo, não, melhor,
casa comigo, nunca te farei mal juro, mas de repente, perdi-te num curto espaço
de tempo que se chama para sempre, se Deus existe porque te tirou de mim.. Foi
um castigo por eu não ter arriscado uma oportunidade para nós? Isto é castigo?
Só pergunto porquê, porque tinhas de ser tu julgada por um erro meu? Ele que me
leve a mim, ela não sentiria tanto a minha falta como eu sinto a dela, é
difícil, é duro, nem vale a pena ter morfina a circular-me no corpo, é uma dor
horrenda é uma dor permanente, só preciso de ti minha querida, se me ouves
leva-me e perdoa-me tudo o que não fiz por ti para darmos certos, eu venero-te,
eu quero-te, julgai-me a mim mas leva-me para junto dela mesmo que seja apenas
para a ver sorrir e ouvir a sua voz durante toda a eternidade”
Porque se olharmos apenas para as estrelas e sonharmos, o teatro
dos sonhos ou fica curto ou desaba diante das nossas pupilas
To the moon and back, JotaCê
© José Correia, 2025. Todos os direitos reservados.
Texto registado na SPA.

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