Sob Um Planeta Mudo
quinta-feira, 5 de março de 2026
Consequentemente Inquieto
quinta-feira, 3 de julho de 2025
.
Morreu.
Uma bofetada de uma assentada só. Diariamente há sonhos interrompidos, planos
desfeitos, cafés, jantares ou convívios que tantas vezes adiados, ficam
perdidos.
Bofetadas que doem como as de hoje. Permanece sempre a questão… o que fica de cada
um de nós? Empatia é isto, mesmo não conhecendo as pessoas, havia uma admiração
geral pela comunidade da vida e do desporto que o rodeava, tantas alegrias deste a
estranhos que te adoravam e por isso, não é surpreendente que o núcleo de família
e amigos fosse tão próximo e unido.
Há algo mais injusto do que alguém que singrou na vida, na
profissão, na família e chegou ao apogeu, partir assim tão prematuramente? Como
é possível preencher esses espaços vazios? A resposta – não se preenche.
Deleita-se uma dor nunca superada.
Que aprendamos a dar valor aos minutos que passam. Um dia é muito grande se
contarmos os segundos. Na réstia da esperança fica um sentimento de que
valores, risos e momentos permanecem com quem privou com as almas que partiram.
Recentemente li que “a gente nunca está atrasado para o que
é nosso”. Pois é, e para a morte também é assim. Não sabemos quando é a última
viagem, o último sorriso, a última música.
Trechos da vida passam-nos à frente dos olhos nos últimos segundos, diz-se.
Então se é assim, partiu uma das pessoas mais felizes do mundo.
Que sejamos todos metade do ser humano que foste para os teus, o mundo ganha
com isso.
Até um dia, Diogo e André.
sexta-feira, 2 de maio de 2025
Insight
~
To the moon and back, JotaCê
© José Correia, 2025. Todos os direitos reservados.
Texto registado na SPA.
domingo, 16 de março de 2025
Oscilações
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Shreads
Mais um toque de dádiva nos céus. O vento arrasta as folhas que restam pelo chão, ecoando o barulho de cada pedaço que me vai caindo nestas horas de desalento. Já senti mais do que quis sentir, e a cada hora me sinto mais destruído!
São anos atrás de anos, o tempo
avança e os desejos que tive são cada vez mais distantes de quem os alcança…
O corpo
abana lentamente nesta cadeira, onde se ouve o ranger dos linhos, e as quebras
de alma nos pedaços de madeira.
Desta
tristeza não caí uma lágrima, e o choro é seco, duro e intrínseco que me
corrói por dentro!
Dentro de
cada paixão, tento ser pragmático no que me é possível, as tentativas
tem sido muitas. Vezes sem conta que olho o céu da mesma maneira, seja ele
radiante ou nublado, mas ultimamente o meu céu em dias limpos tem sido
cinzento. O arraste de tanto desapontamento é penoso, tanto ou mais que por
vezes nos questionamos se há algo de errado connosco.
Eu, o
apologista máximo de que o amanhã é um novo dia, começa a deteriorar-se, pois
as pessoas não sabem o que querem, falta empatia e vontade de abraçar a
honestidade, sinceridade e transparência de ser feliz no seu próprio casulo, sem
preocupação com a aparência.
Tenho sido
um Mr. Turner na vida, com compostura, levando o barco para onde ruma a maré, seja
ela alta ou baixa, mas nesta descida amena, sinto-me cada vez mais um Jack,,
onde a bússola não tem direcção, já nem aponta para o rum, apenas para o
vazio onde eu queria ser dos felizes, que procura destinos, mas não vê nenhum.
To the moon and back, JotaCê
domingo, 10 de dezembro de 2023
Contraluz
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
Slight
(Março,2023)
Hoje é o dia, hoje desço ao fundo do poço, ao fundo escuro que tanto tenho medo, que tanto tenho evitado. Obscuro frio e negro, sinto que é a primeira vez que o visito.
São 2h23, e não sei quem sou, não me reconheço, apenas tumultos, não há forças. Sempre respirei a convicção que poucas coisas me iriam abater, mas afinal, sou uma folha de papel. Foi tão fácil e eu, não só era protagonista, como também produtor, deixei acontecer e deixei-me ir num pedaço de madeira rio abaixo. Vejo da janela do meu quarto o mundo lá fora, e não o entendo, não me sinto um destes pedestres, a minha alma orbita por outra galáxia.
A história que quis contar e seguir, não foi nos trilhos que desenhei, esperei tantos anos e no momento, faltou-me astúcia de cortar o rastilho, e agora? Estou frágil, e sem rumo, e, sei que tenho de me reerguer, mas caramba, não mereci, nem fiz nada para passar por esta chuva grossa. Salvei-te, fui herói, mas morri.. não culpo nada nem ninguém, mas arrependo-me. por tamanha ingenuidade e cegueira amorosa, não houve cama para amar mais e logo num inicio, o amor, que há tanto sentia, ardeu demais e transformou-se em raiva, em furacão, em calvário.
Fui o melhor possível nos meus limites, mas no final de tudo, esta história foi Titanic, fui só uma tábua de salvação, apenas servi para não te deixar cair, fui Jack e tu Rose, fui feliz por te ver à tona, mas.. Fui eu, que com todas as minhas forças e sonhos, foi ao fundo, e continuei a ir durante quilómetros, sem me aperceber, sentindo apenas, que fomos laços certos em nós errados, e o amor morreu numa praia de Setembro.
São 2h23 e corre nos meus ouvidos “Quem me leva os meus fantasmas”, numa doce e leve depressão, que me lava a alma, e apesar de ser uma das melhores fases da minha vida a nível pessoal, não consigo aproveitá-la como queria, apenas sobrevivo, o meu corpo continuou, mas a minha alma ficou no verão de 21, e só quero que ela volte até mim. Preciso da minha alma de volta, preciso da energia contagiante que sempre tive, da incurável veia romântica, da inspiração para escrever, da força para encarar o dia-a-dia, sem sentir angústia, de ter dado tudo para ser feliz.
Deixo hoje, finalmente o peso que vai em mim nestas palavras, ficando apenas cinzas, deste voo que não soube voar, e olhando de cabeça erguida para a frente, com a plenitude de que fui tudo e fiz de tudo para ser diferente e único.
Queria ter a capacidade de reescrever esta página de novo podendo apenas apagá-la de mim, não queria ser herói, não queria ter lido, nem ter sido protagonista nem produtor, queria apenas ter continuado a ser o miúdo, que olhava da janela do quarto e via o mundo a cores, e com um brilho nos olhos, sentia a felicidade dos pedestres, sem a invejar.
To the moon and back, JotaCê
© José Correia, 2025. Todos os direitos reservados.






